Sandra Regina, Advogado

Sandra Regina

Niterói (RJ)

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Sandra Regina, Advogado
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Davi Cardoso, Bacharel em Direito
Davi Cardoso
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Rosana Fonseca, Advogado
Rosana Fonseca
Comentário · há 8 anos
O Representante do Estado é uma pessoa. Os julgamentos não são feitos por máquinas, por inteligência artificial. Nossa legislação prevê como elementos de convicção para a decisão dos juízes a notoriedade do fato, a experiência comum e a própria experiência.

No caso específico narrado no relatório da decisão, a conclusão do magistrado é contextual e não dependeria da sua experiência pessoal, que felizmente a possuía para julgar fazendo justiça. Os elementos apontados: local da moradia, pleito módico e circunstância do pai se deslocar a pé em uma época em que todos têm ao menos um "caidinho" (veículo ainda que velho) para andar motorizado, associadas a prescrição legal de que a simples afirmação, isto é presunção de boa-fé, é suficiente para a concessão do benefício da gratuidade de justiça, apontam para o acerto da decisão.

Também a lei não obriga a assistência por advogado público. Como advogada já trabalhei e ainda trabalho muitas vezes pro bono (pelo bem, sem nada receber, de graça literalmente e ainda pagando do meu bolso as despesas de deslocamento e cópias) em causas onde o resultado econômico era ínfimo (alvará para levantar R$ 300,00 de conta do FGTS de marido falecido; cobrança da entrega de premio por cumprimento de meta por uma idosa de mais de 70 anos que vende produtos de catálogos - Avon, Natura, De Millus, Tupeware - para complementar sua renda de apenas 1 salário mínimo e sem casa própria, onde o prêmio era uma pranchinha de cabelo e um forninho elétrico daqueles bem pequeninos; mandado de segurança para conseguir internação - em mandado de segurança não se ganha indenização por dano moral, então não se cogita ganhar dinheiro), porque nem só de dinheiro se vive.

Presumir que tendo advogado "particular" a pessoa é capaz de pagar é lamentável, é desconhecer o lado humano da advocacia, é ter vivência num mundo onde só o dinheiro faz acontecer. Muitas vezes é o advogado particular quem auxilia o carente nas despesas para que ele possa seguir com seu processo, mesmo com expectativa de nada ganhar.

Concluindo, é ótimo quando encontramos um juiz que tenha história de vida, que possa aceitar como possível uma "jornada desumana" [aparentemente] "impossível" como já ouvi em audiência, só porque o pobre trabalhador laborava por 16 (dezesseis) horas diárias, 6 dias na semana.

Não se trata de pessoalidade, é a experiência pessoal do magistrado, a notoriedade ou a experiência comum, elementos previstos na lei como úteis a formação da convicção do juiz que Representa o Estado.

Espero ter esclarecido. Saudações!
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